| By Vítor Leal,
on 05-03-2010 10:35
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O Museu Colecção Berardo apresenta a exposição antológica de Joana Vasconcelos intitulada “Sem rede”. Patente no Centro Cultural de Belém de 1 de Março a 18 Maio de 2010.
É a primeira exposição antológica da artista plástica Joana Vasconcelos que surge no Museu Colecção Berardo, uma antológica de 15 anos de carreira. Será demasiado cedo? Perguntar-se-ão os mais ortodoxos, em nome de um maior percurso de produção, em busca de um distanciamento temporal que determine a consolidação da carreira na história artística de Portugal. Contudo, independente de apoiantes e detractores, é indiscutível a forte presença da artista no panorama artístico e cultural português, com representação internacional. Artistas há que não o merecem, insuflados à força, contudo o breve percurso de Joana Vasconcelos é pautado por inúmeras transformações, por discussões e controvérsias que tornam esta exposição antológica uma necessidade para repensar o seu trabalho, no ponto de vista dos espectadores. É uma exposição necessária para redefinir a posição desta artista na cultura portuguesa, mas também na História da Arte. Muito acontece em poucos anos, transformações nevrálgicas ocorrem em céleres sequências, exigindo novas estratégias de pensar o passado recente. No caso de Joana Vasconcelos é necessário pensar num momento de indefinição da arte, de um período sem movimentos, sem grupos, sem manifestos onde dominam os media da comunicação. Joana Vasconcelos, joalheira de base, mostra-nos um projecto que repensa a arte passada, os elementos já afirmados, mas não resolvidos, caso do ready-made, da escultura e objectos tridimensionais que tanto espanto e comentários ainda causam nos espectadores, e avança para um novo projecto, um projecto tão global como português. Talvez seja esta a grande força cultural na sua obra, pensar a cultura global, mostrando que a identidade nacional, os elementos regionais são essenciais para a variedade, para uma afirmação e escolha de uma identidade social numa sociedade global, recusando a participação no espaço internacional como uma necessária homogeneização, ou que a afirmação de cada cultura seja antagónica à internacionalização. Assim observamos em cerca de 40 obras da artista, provenientes de 30 coleccionadores, uma forte afirmação artística, cultural, individual e social. Um conjunto que demonstra que todos os artistas são-no na sociedade e em sociedade, mesmo uma recusa é-o na sociedade. Joana Vasconcelos pensa o país e a cultura onde vive, na esfera nacional e na internacional. |
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