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05-Fev-2012
“ Arena" O acto de criação no espaço de combate artístico PDF Imprimir e-mail

By Filipa Oliveira, on 12-07-2010 15:30

 A Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, apresenta a exposição “Arena”. Três artistas plásticos portugueses, Carla Filipe, João Tengarrinha e Paulo Brighenti surgem com obras exploradoras do acto de criação, Patente de de 6 de Julho até 16 de Outubro 2010.

Carla Filipe, João Tengarrinha e Paulo Brighenti são os artistas patentes na exposição de autoria curatorial de Filipa Oliveira. O traçar dos elementos de uma obra de arte, a execução da obra de arte surge como acto performativo, um trabalho técnico-estético que se revela na concretização estática do trabalho final. Criação e espaço de concretização são a base da exposição “Arena”.

O estudio raramente visto, o local onde a arte é efectuada, concretizada, forjada num trabalho de criatividade e execução desenpenha um papel fundamental de luta. È neste espaço que o artísta se permite libertar, entrar no caos que Klee preconizava, em segurança, onde se apresentam as condições de se re-estruturar e laborar arduamente. O processo de traçar enquanto técnica artística ocorre num regime de treino intensivo, de trabalho apurado onde técnica entra em jogo com a individualidade criativa e as capacidaddes de domínio da execução do traço num contexto de profissionalismo artístico. Observam-se nesta exposição dois elementos cruciais olvidados ou deturpados pela mitificação do artista e sua capacidade de criação.

Bruce Naumann.

Os bastidores, o local de trabalho, de luta, onde o suor e a criatividade se equacionam para a produção surge revelada nesta exposição na sua importância. Os expressionistas abstractos centrando-se na expressão de afecções, de intensidades, faziam-no com precisão, com técnicas desenvolvidas e apuradas em práticas repetidas, como treinos desportivos.

Jackson Polock afirmava ser precisso no seu dripping, afirmava fazer exactamente o que se propunha, algo que recentes estudos de padrões confirmam. Tal funciona como a assinatura, individual e precisa nas suas variações. Há um acto performativo nas pinceladas, na execução dos traços de um desenho que tornam o papel, a tela, o pincel, o lápis, a barra de pastel instrumentos de combate na arena do artista, no seu estudio como local priveligiado de trabalho.

Como afirma a Curadora Filipa Oliveira no texto de press release

"A folha de papel pode ser encarada de formas diferentes. Quase tantas quantos os artistas que alguma vez se debruçaram sobre uma folha branca para nela realizar um desenho. Mesmo assim, é possível mapear atitudes análogas entre alguns artistas.

Esta exposição, centrando-se em três artistas portugueses - Carla Filipe (Aveiro, 1973), João Tengarrinha (Lisboa, 1970) e Paulo Brighenti (Lisboa, 1968) - quer explorar uma metodologia particular do acto de desenhar. Um processo que se centra numa luta entre o artista e a folha de papel, e o resultado desse combate (onde a fisicallidade está intensamente presente) descobre-se nas marcas deixadas na folha. Um processo no qual o corpo do artista dança (no sentido mais amplo do o termo ‘dança’ pode significar) em frente a (e com) o papel.

Um desenho de performance ou uma performance do desenho. Não nas linhas da prática de artistas como Yves Klein e as suas antropometrias, mas antes mais perto da atitude dos expressionistas abstractos, um desenho-acção. A folha de papel é uma arena de experimentação. Sofre nas mãos do criador. É esticada, molhada, varrida, rasgada. Explorada até ao limite.
Contudo, nem sempre o que se vê na obra finalizada revela o processo de feitura. Muitas destas performances acontecem na solidão do estúdio, em privado, invisíveis ao olhar estranho.

O papel do estúdio é assim central no pensamento da exposição. E exactamente por isso, ela tem como preambulo um vídeo de Bruce Nauman, onde o artista percorre o estúdio, explorando-o fisicamente. O estúdio é também uma arena onde o decorre o confronto (físico e mental), onde a obra acontece.

De certa forma, esta exposição quer reflectir a própria missão da Fundação Carmona e Costa enquanto espaço para o Desenho. Uma casa como vários quartos e aberta a várias perspectivas e formas de pensamento sobre esta disciplina. Esta é apenas mais uma."


   

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