| By Miguel Matos,
on 12-07-2010 16:08
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A Galeria António Prates apresenta a exposição “Aurora”, com a curadoria de Miguel de Matos. São pinturas a spray de Eduardo Nery e Noronha da Costa. Patente até 31 de Julho de 2010.
Pintar com spray ou a revolução das latas de tinta. Este desenvolvimento tecnológico, após a passagem da têmpera ao óleo, do óleo manufacturado para o óleo em tubos ao acrílico até à tinta em latas de spray, surge em trabalhos de Eduardo Nery e Noronha da Costa presentes na exposição “Aurora”, na Galeria António Prates. Técnica que caracteriza os trabalhos de Noronha da Costa, ao longo da sua carreira, reiterada em trabalhos recentes, demonstrando a evolução estética do artista. Contudo é com Eduardo Nery que a surpresa acontece, técnica pouco comum neste artistas, revela-se em trabalhos datados entre 1979 a 1984. Esta relação cronológica de dois artistas distintos permite um confronto de evoluções estéticas e técnicas na arte portuguesa pós-moderna. Afirmando uma técnica de pintura com efeitos próprio, assaz distinta da pintura a pincel ou a espátula. Revelando um outro lado da pintura portuguesa qusente das Histórias da Arte em Portugal. Eis o grafitti sobre tela, eis o desafio à percepção do que é pintura enquanto forma artística de valor, para além do modelo tradicional da pintura a óleo com pincel que domina o pensamento eivado do formalismo da década de quarente, ainda vivo no pensamento contemporâneo.
Segundo as palavras do curador:
“Em 1973, Eduardo Nery e Noronha da Costa expunham lado-a-lado no Centre Culturel Portugais da Fondation Calouste Gulbenkian, em Paris. Apesar de amigos, pouco tinha em comum a pintura de um com a de outro. 37 anos depois, na Galeria António Prates, em Lisboa, os dois artistas reencontram-se. Lado-a-lado expõem pela segunda vez e, através de uma empatia desfasada no tempo, as suas obras aproximam-se...
“Toda a pintura distribui de graça uma certa qualidade de silêncio”, escreveu um dia Eduardo Lourenço. “Mas certa pintura inscreve esse silêncio em qualquer coisa a que convém o nome sempre suspeito de 'mistério'”. Para as obras que se juntam nesta exposição será talvez adequado adicionar a palavra “espíritual”. É uma experiência quase metafísica aquela provocada pela contemplação das auras espectrais criadas por Eduardo Nery. A par com estas, o olhar prolonga-se em efeitos de infinitude espacial nas telas de Noronha da Costa. Uma ligação pouco provável. Um rendez-vouz imprevisto entre dois pintores da mesma geração e paralelos em percursos. No entanto, após o confronto, a lógica aparece como evidente.” Miguel de Matos
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