| By Risoleta da Conceição Pinto Pedro,
on 01-08-2010 17:24
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Da Exposição de Joalharia Contemporanêa - Tangenciais EXD0 à Mostra Jovens Criadores 2009 em Évora.
Primeiro local: Hotel Altis ali a Belém, do lado do rio. Só por isso valeria a pena lá ir. Mas havia mais. Esta exposição de joalharia de alunos da Ar.Co e outros criadores que valeu bem a pena visitar. As peças estavam colocadas em prateleiras incrustadas na parede e iluminadas por trás do vidro protector. Os materiais vão do contraplacado à fita-cola, cera de abelhas e outros, passando pelo (ainda?) incontornável metal. Mas a ideia é comum. Porque há uma ideia. E essa é tão moderna quanto velha. Como o mundo.
Em comum com uma certa linha criativa na área da joalharia, mas também das outras artes do nosso tempo, um certo olhar antropológico (referido por Raul Boino Lapa e Marília Mira num texto sobre a exposição) como aludi, a propósito de um projecto de intervenção urbana sobre o qual escrevi há pouco tempo, “A Festa Acabou”. Aqui, a temática gira em torno dos conceitos de tempo e espaço, fora e dentro.  Independentemente da comparação entre a qualidade das peças, que não é o que me interessa, independentemente do interessante jogo entre a saliência e o relevo que encontrei em algumas delas, independentemente do grau de aperfeiçoamento técnico, que os meus olhos não sabem ver, demorou-se-me o olhar nalgumas, pelo interessante paradoxo entre o material usado e o uso suposto, pelo abismo entre o material usado e o efeito criado, pela estranheza do objecto desdobrado que não se vê, apenas se imagina, e que apenas passa a existir quando o imaginamos desaparecer dos nossos olhos (refiro-me a uma peça de Catarina Dias onde um anel de noivado deixa o seu sulco e saliência sem que o “vejamos”, onde apenas a união invisível realizará o que os nossos olhos não podem descortinar, pela forma em que o concreto e o abstracto, o conhecido e o desconhecido o utilitário e o decorativo se unem. Mas também a união entre a mais perfeita abstracção, a forma quase pura e o lúdico. O objecto que existe quase como arquétipo, uma paradoxal representação do platónico mundo das ideias, e a actualmente considerada como a mais inútil das funções: a brincadeira, o prazer, o jogo, na realidade a única actividade que estrutura, a única que salva, a única que verdadeiramente liberta. Refiro-me ao mais recente trabalho de um joalheiro sobre o qual já aqui falei, David Pontes. Este artista tem vindo a desenvolver a ideia de pião, libertando-a da forma tradicional e desafiando-nos a procurar, dentro de nós, formas novas do objecto.
http://www.youtube.com/watch?v=oxdMZkY7iqA Um pião em transformação é o que tenho vindo a assistir nos últimos tempos. http://www.youtube.com/watch?v=fpDoaspwuOE Refiro-me também à última mostra de trabalhos de jovens artistas que decorreu em Évora no primeiro mês deste ano. Se anteriormente o pião se mostrava vulnerável como uma taça erguendo para o ar o seu convexo e multiplicando-se, este pião no Alentejo, na Mostra dos Jovens criadores 2009, condensou-se na unidade e recebeu sobre o vazio a sua outra metade, assim se fechando. Mas e como vou explicar, por isso se abrindo a novos movimentos. http://www.youtube.com/watch?v=uoz1VXlHsoo Tivemos o privilégio de visitar esta exposição na companhia do artista, que para nós libertou o objecto do cubo de protecção que o separava do mundo, permitindo-nos tocar-lhe, sentir-lhe o peso, a temperatura, a textura, fazê-lo rodar, e surpreendidos, vê-lo erguer-se e nessa posição rodopiar. E andar. http://www.youtube.com/watch?v=RKODxttVapg Nem todos os que rodeávamos o pião conseguimos fazê-lo, mas o artista mostrou conhecer o seu objecto, pião, sua criação, como a própria mão. Às vezes é notoriamente visível a alquimia da arte. E do criador. Este criador está a ssociado a um projecto: http://wwwprojectotudojoia.blogspot.com/ assinado por: Beatriz Mouzinho, Catarina Martins, Christie Bassil, Cristina Duarte, David Pontes, Jon Ek, Natália Salazar, Rita Andrade, Sónia Brum, e Vânia Santos. http://aluzdascasas.blogspot.com/ |
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