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07-Jan-2009
Ó meu Paizinho putativo! | Maldizer PDF Imprimir e-mail

By Vera Chi Lo Sa, on 09-03-2008 17:47


Fofo, fofo, fofo.

Não pensem que fui lanchar a Belas, pois este meu corpinho só se mantém a muito custo, com ginásios e boquinha bem amarrada.

O três vezes fofo é o Zé Tó.

Pois, o Zé Tó até me deixa com a lagrimazinha a querer escorregar. Então não é que aquela coisa fofa, fofa, fofa se está a candidatar a ser pai de todos os artistas?

Sim, pai, de todos nós, os artistas – e de paternidade oficial, reconhecida, assente… Não sei ainda se é bom se é mau ter um pai assim, tão de repente, tão à Boca do Inferno, que um pai, mesmo putativo, não se enquadra do pé para a mão. Vou pensar.

E como se nos paternaliza colectivamente o Zé Tó? Fácil! Todos sabemos que vem aí o Dia do Pai, a 19 de Março. Ora foi precisamente este o dia que José António (um “de” ficava aqui a matar...) Pinto Ribeiro, escolheu para se estrear no parlamento. É a sua primeira desde que tomou o lugar da minha querida Belinha, por um engano da telefonista, dizem as más-línguas.

Será um bom augúrio, para nós, artistas? Será que vamos ter de lhe dar uma prenda, um lencinho branco para ir a Fátima, em Maio, ou um “after-shave” para ir ao “Blues” à “night”, ou umas botas de neve para ir esquiar e abrir os tendões do joelho? Quanto a isto, por mim, bem pode esperar sentado… Ninguém pediu um papá à pressão!

Por falar nestas coisas de família, lembrei-me eu, que ando muito de lembranças assim pró péssimo de tanto desgosto seguido, que em todas as famílias há uma ovelha tresmalhada, a famosa ovelha negra. É uma, raramente mais do que uma… Mas nem sempre: ao que parece, o BES Photo já arrebanhou três destas lanudas.

Ainda ninguém teve a coragem de averiguar de quem é a culpa, se dos pais ou dos filhos ou dos professores, mas já Paulo Nozolino e a dupla João Maria Gusmão/Pedro Paiva tinham recusado entrar no prémio em edições anteriores. Agora a nega veio da Luísa Cunha. Recusou integrar a família dos potenciais ganhadores do maior galardão de fotografia atribuído em Portugal, como quem recusa uma daquelas viagens turísticas de camioneta com “pequena promoção” de electrodomésticos.

Talvez seja possível encontrar algumas respostas quando a exposição das obras candidatas ao Prémio BES Photo for inaugurada, a 13 de Março, no Museu do sr. Berardo, ora pois, onde é que havia de ser… E mais tarde, a 7 de Abril, quando for anunciado o vencedor. Dizer Museu Berardo – também me faz recordar “papá” e “coisas de família” e aquela série de televisão que parecia ser sobre Ópera mas não era, não era mesmo de todo.

Outra lembrança tristonha, daquelas de amarrar o burrinho: pois não é que o meu krido JB, não conseguiu ter o seu museu no top dos mais visitados a nível mundial, nem mesmo oferecendo o ingresso de entrada? Sempre há gente muito ingrata! O paizinho das adjacências merecia que seus filhos continentais lhe dessem mais atenção.

E por agora já me chega destas coisas de família, que estou a ficar com babas pelo corpo todo e, gaba-te cesto, nem é um corpinho de deitar fora.

Por isso, à Paulo Portas, mudo de assunto e em vez de responder a incómodas perguntas feitas sobre submarinos, por exemplo, pergunto à má fila e de mão na melena: em vez de estarem para aí com insinuações aleivosas, já alguém reparou no slogan do cartaz de publicidade da exposição “Ida e Volta: Ficção e Realidade”?

Pois diz assim: “O vídeo como nunca foi visto”. É esta a frase que abre o cartaz e as almas publicitárias ao nível dos supermercados do tio Belarmino, ou isso.

Nos últimos tempos temos assistido a coisas nunca antes vistas, é bem verdade. Ela a abrir o jornal e a ler “os combustíveis sobem como nunca foi visto” ou “GALP com lucros nunca vistos” ou na publicidade a página inteira “preços baixos como nunca foi visto, ou até aquela horrenda exposição sobre “o corpo humano como nunca o viu”.

Agora digo eu, que sou loira e linda e tudo, “O vídeo como nunca foi visto” para slogan de cartaz numa exposição no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão parece assim qualquer coisa como vender Van Gogh´s na feira de Carcavelos!

Não sei onde é que isto vai parar, e não me interessa muito… Talvez o nosso futuro paizinho putativo esclareça tudo no dia 19.

Tinha uma ideia gira, mas já não vou a tempo, que à comunidade dos artistas é difícil chamar comunidade. Era aparecermos todos, de bandeirinhas portuguesas e da CEE, frente ao parlamento e gritarmos com ritmo de tango

Paizinho! Paizinho! Paizinho!

quando o Zé Tó subir as escadarias, fizer uma festinha ao leão da esquerda (o da direita é dos outros) e franquear pela primeira vez aquele templo da democracia donde, diz o bastonário dos advogados, se entra teso e se sai podre de rico…

 

   

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