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07-Jan-2009
Poesia e pintura de Alice Valente no Porto PDF Imprimir e-mail

By Alice Valente, on 12-03-2008 22:40

“CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura” é o título da exposição de Alice Valente que inaugura no dia 19 de Março na Galeria AMIArte, no Porto, e estará patente até 19 de Abril. A inauguração da mostra incluirá uma intervenção de José Pedro Fernandes sobre “Estética e Cultura Visual”, uma “Vivência Poética” por Alberto Augusto Miranda e um concerto com peças das séries d'Images de Claude Debussy interpretado por Dina Resende.

Junto publicamos o texto de Alice Valente e, em separado, uma reflexão de Alberto Pimenta.

CORPOtraçoCORPO 

Todo o meu trabalho da “Imagem” nos domínios da Poesia, da Pintura e da Fotografia, que estou a desenvolver e a realizar através de projectos autorais, deve-se à minha enorme preocupação com a importância do corpo, corpo que está presente em todos os meus projectos, mas existe um que iniciei no ano 2003 e que gostaria de vos dar a conhecer, é o CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura.

CORPOtraçoCORPO é a comunhão da exposição de imagens poéticas – corpo vivo com as minhas imagens pictóricas – corpo ficcionado.

 A pintura – é compreendida com 9 obras em díptico para cada uma das 9 cores, com o formato de 130x81cm e são apresentadas na verticalidade ou na horizontalidade,
A poesia – surge na conceptual relação da importância da palavra com o pictórico, presente no título das obras e em que irá corresponder a cada obra em seu título, um poema com o mesmo título.

O traço deste projecto apresenta-se na poesia através da palavra e na pintura através da cor, em que representa o equilíbrio ou a harmonia, o que vem entre um e outro… o outro que pode ser o nosso próprio outro ou o outro propriamente dito, em conhecimento ou desconhecimento, depende de como o utilizamos no seu total sentir e pensar sem o aniquilar, numa atenção redobrada dos recursos e potencialidades que possui.

O nove presente no traço da cor e no traço da palavra, surge como o novo, o último dos números, representa assim o nascer, o cuidar beneficamente do ressurgir, em criatividade, o seguinte, o próximo, que virá em sua contemporaneidade, numa antevisão comprazer do que irá ser conhecido ética e esteticamente, no antes do todo em seu próprio desconhecimento…

Já expostas 6 das 9 cores: o vermelho, o castanho-terra, o águal-azul-céu (designação do azul-água e do azul-céu), duas cores conjuntas apresentados na horizontalidade e o laranja-lima (designação da cor da laranja e da cor do limão), duas cores igualmente conjuntas, mas apresentadas na verticalidade…

Seguir-se-lhe-á o verde-oliva, o verde e será a cor-de-pele, que encerrará o ciclo das 9 cores.

9 cores x 9 obras = CORPOtraçoCORPO = 81 obras com 81 poemas

Após as séries de exposições, está previsto uma exposição final com todas as obras aquando do lançamento do livro com o mesmo nome do projecto contendo 81 poemas e ilustrados com as 81 obras e em que a cada obra em seu título irá corresponder um poema com o mesmo título.

(…)

O corpo define-se pela sua fisiologia, que o mantém vivo e activo, no entanto o corpo está dependente da anima e em seus desejos converte-se em ser com vida. A vida é feita de um corpo em seu todo no Sentir e no Pensar! No Sentir reagimos e actuamos corporalmente, mas no Pensar é que está a fórmula (ou traço) para nos distinguirmos dos animais.

Um corpo é efémero e de vida passageira, ainda assim, podendo-se projectar em outras realidades, uma vez que o que fica de nós ou do nosso corpo é tão-somente o resultado do pensamento.

 É o corpo com o pensamento e a alma que define a representação da nossa existência sem qualquer oposição na incontestável interpretação do incorpóreo e que racionalmente não podemos reconhecer nem testemunhar.

E o Corpo sendo parte integrante da Natureza, essa Natureza com todas as suas forças que vão direccionando nossos corpos com toda a supremacia e beleza, deveríamos estar a viver beneficamente e em harmonia em nosso ambiente natural com todos os elementos dessa mesma Natureza. Mas não está a acontecer, porque nos foi ensinado precisamente o contrário, é que temos que dominar tudo o que nos rodeia, temos de dominar tudo o que mexe.

(…)

E aqui continuamos nós neste castigo, nesta culpa, nesta constante adversidade com a Natureza, a querer alterar essas mesmas forças da Natureza. Estamos é sim, a maltratar a nossa natureza de seres com Sentir e com Pensar, a alterar essa parte benéfica que existe em nós, a inutilizar a alma, a matar o Ser, a apagar a aura, estamos assim a assassinar-nos conscientemente…

(…)

O nosso Corpo como um Todo só será válido na sua totalidade com o Sentir e com o Pensar, quanto maior for a sua capacidade para contribuir com esse mesmo Pensar a Criar e a Cuidar… Somos assim… seres de cuidado e de atenção porque criamos a comunicar primeiro com um Corpo indivisível, através de desejos indissociáveis do intuir em pensamento e alma…

E a comunicação será tanto mais eficaz quanto as diferentes formas desse mesmo pensar da aprendizagem escolástica ou obrigatória estiverem associadas a uma livre aprendizagem, autodidacta, no intuir, numa procura constante da perfeição a preservar tudo o que nos rodeia…

 O Homem é portanto, um ser de “comunicação”. E está sempre a descobrir novas formas de se comunicar. E a primeira comunicação é com ele próprio, com o seu silêncio, com a sua consciência, que não alimentada em consciência poderá com toda a má aprendizagem do que é “politicamente correcto”, do sucesso imediato, do que é fácil e passageiro, do superficial, numa satisfação imediata a enganar o corpo, a ficar limitado ao vazio, ao nada, a ficar na infelicidade, na solidão, na penumbra, na decadência…

(…)

E o que ainda nos faz estar aqui, é o cumprimento com o primeiro dos objectivos da vida, o ser a Ser, por seres que somos, de cuidado e de criação, todos aptos, mas mesmo todos aptos e capazes de conseguir, dentro de maiores ou menores limitações, a criar e a cuidar deste nosso planeta, a Terra, como se tratasse do nosso próprio corpo.

Para uns é uma questão de aprendizagem simples e para outros, para além de um contínuo processo de aperfeiçoamento e aprendizagem, será também o de transmitir essa mesma aprendizagem nas suas mais variadas formas, pelo Conhecimento em Saber.

E sabendo o que o Pensar de nossas consciências tem para dizer e Fazer… a não usar esse Pensar, é deixar de Pensar!

E deixar de Pensar é negligenciar o Corpo em consciência!


Excertos do Ensaio «A Consciente Negligência do Corpo»
Comunicação proferida em 2005 na Faculdade de Letras da Universidade do Porto

   

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