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07-Jan-2009
Coisas de jovens... | Maldizer PDF Imprimir e-mail

By Vera Chi Lo Sa, on 15-03-2008 20:20


Pronto, é assim: não me aguento mais e vou contar tudinho!

Ainda andava eu à descoberta das minhas vocações e já não perdia um Portugal Fashion e ainda menos as muitas tricas que sempre lhe têm decorado o ambiente, a par do brilho das luzes e lantejoulas e do talento de alguns, sempre poucos, sempre demasiado poucos...

Este ano a Portugal Fashion caiu na pura peixeirada, em vez das insinuações e invejinhas, dos mexericos e das partidinhas maldosas.

Eu sei, eu sei, que moda, design e essas coisas do género não cabem no que se considera serem artes plásticas ou visuais. Mas não dá! Se ficar calada eu ainda rebento.

Tudo se passou neste último Portugal Fashion em Gaia.

L’Agence participou no “casting” para o desfile nortenho, mas foi avisada, na segunda-feira que passou, de que pois, muito obrigada, mas vá desfilar para outras passerelles. Desta, estava excluída. E porquê? Para Miguel Blanc, da L’Agence, não há dúvidas: trata-se de uma retaliação pelo facto de "ter avançado com a cobrança da dívida (23.799 euros) por via judicial". E quem é que deve os tais euros? Pois, quem deve os euros é a Associação Nacional de Jovens Empresários, que organiza a coisa em Gaia. Ai é? Armindo Monteiro, presidente da juvenil associação empresarial, diz que não quer é trabalhar com quem diz mal do Portugal Fashion e considerou "absolutamente falsa" a ideia de retaliação devido à acção judicial.

 Mas a história ainda fica melhor depois de se saber que os manequins da L’Agence foram seleccionados para o desfile, mas a título individual. E porque será? Talvez, só talvez, porque em Outubro, tanto ela como a Loft, a Cen-tral e a Just recusaram à Fashion os manequins que representam, por falta de pagamento atempado de edição anterior do evento. Beeem… Só quem não se queixa de nada e está em todas, em tudo e por tudo quanto é lado é a baixinha, a Fátita. Sinceramente, nem entendo porquê, pois nem é nada gira e aquelas roupas são uma piroseira!

Pronto, já falei das traquinices dos jovens pelo que passo às artes com a grande.

Sabem o que disse Pedro Lapa, director do Museu do Chiado, a propósito do inventário de cerca de 1.300 obras de arte pertencentes ao Estado mas dispersas pelo país, e que deverão integrar o acervo deste museu lisboeta? Pois, o senhor está preocupado com a falta de espaço do Museu. Diz que é pequeno e que mais pequeno ficará ao receber um espólio que aumentará a colecção para um total de 6 mil obras.

Para sublinhar tanta falta de espaço, Lapa diz que é habitual ver-se "forçado a reduzir a dimensão de importantes exposições" ali inauguradas. Quê? Quais? Como? Quando? Não dei por nada! Eu, que como já se sabe até sou loira e tudo, pergunto: que exposições importantes houve no Museu do senhor Lapa, para além de uma ou outra raríssima excepção, das que só servem para confirmar a regra?

Nunca se passa nada de coisa nenhuma naquele soberbo edifício. E quando passa, quase não é noticiado. Estas coisas das artes, em Lisboa, são sempre envoltas por um grande secretismo… São só para pessoas muito importantes e sabidas da sua sapiência... Não vão aparecer uns cabeludos de “jeans” e meninas a condizer.

Experimente o senhor director mandar fazer uma publicidade à maneira sobre artistas à maneira e verá como o público adere. Como aliás aderiu ao Amadeo de Sousa Cardoso, por exemplo.

Outra coisa de que se queixou o director do Museu do Chiado, ainda sob o mote do inventário, é de não ter nenhum trabalho de Julião Sarmento, mas aposta no novo ministro da cultura para enobrecer o museu.

Atenção! Deixo aqui um pequeno alerta:  José António Pinto Ribeiro, uma tela de Julião Sarmento vale uns milhares de euros e quando se pode ir aos saldos, mesmo que a Madrid ou a Londres, é de aproveitar.

Mas se uns não fazem publicidade outros há que abusam.

Refiro-me à Fundação PLMJ criada pela sociedade de advogados A.M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice e Associado. A colecção até é uma boa colecção, mas não é ela que se publicita. Ela serve para publicitar a Fundação, parágrafo a seguir a parágrafo, sem peso nem medida, até ao enjoo total.

Para não ficarmos, muito à portuguesa, só pelas desgraças, aplausos para o primeiro leilão de arte moderna e contemporânea realizado este ano pelo Palácio do Correio Velho. Facturou mais de um milhão de euros. Uma responsável da casa adiantou que até, ao final do ano, haverá "mais dois ou três" leilões do género. "O mercado está a crescer imenso", afirmou.

Haja alguma coisa que cresça neste País. Ainda que sejam os novos-ricos!

   

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