| By nuno cunha,
on 16-03-2008 15:49
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A arte como meio de expressão política está fora de moda, do cânone ou do que é oficialmente reconhecido como arte. Carlos No trabalha à margem da “corrente”, e constrói sentidos a partir de imagens e frases que são propostas éticas, de revolta ou de evidência das aberrações da contemporaneidade social e política.
Também longe do preconceito contemporâneo, grande parte da sua obra tem um sentido directo, claro, inequívoco, e constrói uma narrativa de reflexão crítica sobre aspectos obscuros da nossa desumanidade. “Desfiladeiro”, em exposição na Galeria Pedro Serrenho, em Lisboa, até ao dia 3 de Maio, propõe-nos, enquanto europeus, uma reflexão sobre migrações. O que está a mostrar na Pedro Serrenho, “tem a ver com questões de território e de migrações – disse. - Há alguns anos que este tema me preocupa e, agora, resolvi tratar o problema dos imigrantes que, no nosso caso particular, tentam vir para a Europa à procura de melhores condições, com tudo o que têm de enfrentar, quer quando chegam, quer quando se procuram integrar neste espaço”. No, ao longo dos últimos anos, tem vindo “a acumular informação e a pensar como resolver isto” e este trabalho que agora apresenta “é uma das muitas hipóteses que, durante este tempo, elaborei na minha cabeça e no papel, até que chegou a altura de a apresentar”.  Os imigrantes “são sempre muito mal recebidos, infelizmente sem grandes qualificações nem posses materiais, e a Europa trata-os como algo de excedentário que não faz muita falta, embora se saiba que é importante para sectores como o da construção” - referiu. - “É depois ainda mais chocante as situações de exploração a que são sujeitos, tirando proveito das suas vulnerabilidades várias – físicas, monetárias, emocionais”. Nos seus trabalhos pictóricos, Carlos No faz o recurso frequente à imagem e a frases que “convoco para a tela e que funcionam normalmente por antítese, processo que utilizo para criar uma situação quase dialéctica, com o confronto de situações diferentes de modo a chegar a um outro patamar de entendimento e que reflecte o que penso do assunto”. “Nos meus trabalhos mais recentes – disse -, nomeadamente nas instalações, alguns têm um outro tipo de narrativa, mas o título é algo de preponderante para induzir o espectador ao assunto que eu pretende focar, construindo um sentido que evite a dispersão noutras leituras possíveis”. A sua obra tem, no entanto, uma constante de sentido ético e de denúncia política e social: “Eu desenvolvo um tipo de arte mais “engagé”, comprometida com questões político-sociais e, para mim, é o que me interessa. Procuro centrar o meu trabalho em assuntos do mundo que me envolve, em problemáticas que observo, e isso resulta num trabalho de crítica dos aspectos que foco”. * Artigo publicado na revista NS, suplemento do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias, de 15 de Março |
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