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06-Jan-2009
ctrlc/ctrlv | Maldizer PDF Imprimir e-mail

By Vera Chi Lo Sa, on 05-05-2008 12:03

Se há coisa de que gosto é de copiar, até acho que sou um bocado viciada nisso, já nos meus tempos de estudante copiava, mesmo com a trabalheira que dava, passava noites a escrever em papelinhos, com letras pequeníssimas, a matéria que ia sair no exame e muitas vezes, depois das noites em branco, do calo no dedo da asneira, da escrita miúda até quase gastar o azul natural dos meus olhos lindos, pimba, chumbava…

Ainda havia a hipótese de copiar pela Berenice, mas a fulaninha tinha sempre de fazer queixinhas à setôra e depois lá vinha mais uma falta disciplinar e era a maior chatice.

Por essas e por outras é que não quero outra coisa desde que descobri o ctrlc/ctrlv no meu portátel. É uma maravilha poder fazer ctrlc/ctrlv! Não imagino como ainda há quem seja contra as novas tecnologias.

Esta história do ctrlc/ctrlv – que excitação – tem tudo a ver com a moda de nos copiarmos uns aos outros. Debbie Harry diz que a Madonna a copiou, a Rússia diz que os caças J11 da China são copias dos seus aviões SU-27SK, a Nokia copiou um iPhone e aí Anssi Vanjoki, vice-presidente executivo da Nokia e gerente geral do sector multimédia da empresa até disse, com o maior desplante: “Se existe algo de bom no mundo, nós copiamos, com orgulho.”

Eu não sou lá muito da opinião de que devemos ctrlc/ctrlv – que bom, que bom, que bom – aquilo que, no mundo, há de melhor: não suportaria a ideia de haver outra igual a mim!

Um tipo de cópia de que gosto e até entendo é a bem humorada, como a Mona Lisa de bigodes, de Marcel Duchamp, “L.H.O.O.Q.” ou "elle a chaud au cul".

Só há um género de cópia que não entendo que gozo pode dar.

Que prazer pode ter um jornalista ao fazer – ai, ai, ai – ctrlc/ctrlv de uma notícia vinda de agência que sabe chegar a tudo quanto é jornal, rádio, televisão? Além de ser bastante monótono, acho eu, para um jornalista, mesmo estagiário e mal pago, desvirtua a sua verdadeira função. Aceito um copy-desk, imprescindível nos tempos que correm e a arrumar numa prateleira assim entre em vigor o acordo ortográfico. Agora um copy-past? Não encontro motivação, a não ser a económica, para um jornal, despromover os seus jornalistas a meros secretários.

Por essas e por outras é que temos, no mesmo dia, dois jornais a publicar notícias com o mesmo texto, igualzinho, tal e qual ou “ipsis verbis”, que também sei umas coisas do Latim.

Esta semana, o prémio das coincidências vai para o jornal “Público” on-line e o jornal on-line da Rádio Televisão Portuguesa, com a notícia do Grande Prémio de Longa-Metragem "Cidade de Lisboa", atribuída ao filme "Wonderful Town"; e com a noticia dos Prémios AICA, atribuídos a José Pedro Croft e João Mendes Ribeiro.

Depois queixem-se, se alguém lhes pintar uns bigodes, lhes espetar uns corninhos e passar aos gratuitos. “Chaud au cul”?


   

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