plataforma virtual para a comunidade das artes plásticas e visuais
1ª Página arrow Opinião/Crítica arrow TD de João Penalva na Solar-Galeria de Arte Cinemática  
05-Fev-2012
TD de João Penalva na Solar-Galeria de Arte Cinemática PDF Imprimir e-mail

By João Penalva, on 05-05-2008 18:07


 João Penalva expõe T.D. (Transmissão Directa do Relógio da Igreja Matriz de Vila do Conde), na Solar – Galeria de Arte Cinemática em Vila do Conde, de 10 de Maio a 22 de Junho. Publica-se a seguir um texto de João Penalva sobre este seu trabalho.

Este projecto centra-se numa máquina com movimento contínuo, com alterações constantes e ritmadas dos seus elementos mecânicos: o relógio da torre da Igreja Matriz. As mais ínfimas alterações desses elementos produzirão, em tempo real e de modo contínuo, variações sensíveis nas imagens projectadas e uma profusão de sons que variarão entre os mais subliminares e as fortes badaladas com as quais o carrilhão de sinos marca as horas e os eventos mais importantes da vida no centro da cidade. O espaço que alberga o mecanismo do relógio será reflectido em múltiplas projecções reconstruindo os percursos e as divisões do rés-do-chão do Solar de S. Roque.

 João Penalva desloca-se a Portugal para apresentação do projecto T.D. na Solar, e durante esse período terá lugar um programa paralelo em Lisboa (Cinemateca Portuguesa), Porto (Fundação de Serralves) e Vila do Conde (Auditório Municipal). Este programa integra, para além de dois trabalhos anteriormente apresentados em Portugal (Kitsune e 336 Pek), um conjunto de videos que serão exibidos pela primeira vez em Portugal.

 

T.D. (Transmissão Directa do Relógio da Igreja Matriz de Vila do Conde)

 

“Este projecto, específico para a Solar —Galeria de Arte Cinemática — destina-se a todos os seus espaços de exposição, a partir da projecção de uma só imagem, captada por uma câmara Hi8 instalada na torre do relógio da Igreja Matriz.

A imagem e o som do mecanismo do relógio em movimento são levados, por transmissão directa, a um outro espaço onde, através de vários projectores e espelhos, eles desdobram-se, se transformam, se revelam ou confundem em abstracções, ao contacto com o espaço físico deste espaço que os recebe.

Sempre presente, no entanto, será o som dos segundos — o marcador da passagem do tempo na sua versão mais semelhante ao do ritmo que escutamos do nosso próprio corpo.

 A torre do relógio tem sempre a sua história, indissociável da sua função social, mas a torre de uma igreja tem a característica particular de partilhar os seus sinos entre as badaladas que anunciam a hora, o quarto de hora e a meia hora, e as badaladas que chamam os fiéis ou lhes transmitem outra mensagem que não a do tempo que passa — umas de vida, outras de morte.

As badaladas, transmitidas ao vivo no espaço de exposição, serão surpreendemente mecânicas e ameaçadoras, seguidas imediatamente do calmo mas igualmente sinistro bater dos segundos.

O tempo torna-se, assim, fisicamente mensurável, fisicamente sentido, através da manipulação de escala, cor e som de elementos geralmente escondidos por trás de um mostrador impassível.

Este projecto tem a sua origem, por um lado, no meu interesse pela flexibilidade do projector de vídeo como objecto que pode — literalmente — ser manuseado, o que o distingue do projector de 35mm, ou mesmo de 16mm, que, pela sua dimensão, se torna geralmente imovível; o facto da imagem vídeo poder ser projectada em qualquer superfície e de, em diálogo com o espaço, ela se transformar ao transformar o espaço.

Por outro lado, trata-se de uma transmissão em directo e não haverá um registo das imagens transmitidas. Assim, uma vez terminada a transmissão, nada restará para além de memórias pessoais e um registo fotográfico.

 A introdução de banda de vídeo na câmara é expressamente proibida.

Foram realizadas duas versões deste projecto, em 2005 e 2006, respectivamente no Wasserschloss, Goss Leuthen, Brandenburgo, Alemanha, e no Irish Museum of Modern Art, instalado no antigo Royal Military Hospital, Dublin, Irlanda, ambos com uma torre de relógio mas histórias muito diferentes; a de um palácio de um abastado burguês alemão do século dezanove, e o de um hospital militar do século dezoito na Irlanda.

As características específicas de cada localização transformam o mesmo processo — a transmissão em directo do mecanismo de um relógio de torre — em imagens que nada têm em comum além do inconfundível som que as acompanha.”

João Penalva


   

Users' Comments  
 

Average user rating

 


Add your comment
Only registered users can comment an article. Please login or register.

No comment posted



mXcomment 1.0.5 © 2007-2012 - visualclinic.fr
License Creative Commons - Some rights reserved
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >