Seductiveness of the interval. Roménia na Bienal de Veneza.

By Vítor Leal, on 23-07-2009 20:51

 A representação da Roménia na Bienal de Veneza de 2009 surge com a exposição Seductiveness of the interval, ou a narratividade do quotidiano. Comissariada por Alina Serban apresenta trabalhos de Stefan Constantinescu, Andrea Faciu e Ciprian Muresan até 22 de Novembro de 2009.

A ideia central desta exposição poderá ser definida pelo quotidiano como uma encenação, a vida como uma narrativa em acto que se desenvolve numa teatralização das práticas sociais, da complexidade da ordem do real público. Esta posição revela-se a espinha dorsal em torno da qual se organizam os trabalhos  de Stefan Constantinescu, Andrea Faciu e Ciprian Muresan numa instalação site-specific concebida pelo grupo arquitectónico studioBASAR.

Neste espaço expositivo coordenam-se tensões entre o real e as possibilidades do real, espaço onde o visitante percorre uma rede de ligações em que tem de fazer escolhas face aos desafios, aos questionamentos apresentados, que exploram motivações, desejos, preocupações que se lhe deparam nas diversas fases da instalação.

Por entre passagens, corredores espaços intermédios o visitante precorre um percurso definido pelas obras dos artistas. O confronto do pessoal com o histórico através de pequenos eventos, situações quotidianas narradas sob a forma de um documentário antropológico em “Passagen” e “Troleibuzul 92”, investigações sobre a condição humanas sobre a solidão, alienação, violência e um imaginário social da vida. Com Andrea Faciu o visitante surge num cenário da sua fuga para um espaço de sonho, num filme dirigido pelo artista sobre a relação entre o sujeito e o mundo, entre o sonhador e o objecto do sonho numa experiência determinada pelo instante em “EXUBERANTIA”. Findando com duas peças de Ciprian Muresan denominadas “Auto-da-Fé” e “Dog Luv”, criadas a partir dos romances “Auto-da-Fé” de Elias Canetti e de “Dog Luv” de Saviana Stanescu, interpretação subjectiva assente em relações entre o real e o imaginário, que criam subtis tensões onde coloca em jogo a segurança, o controle, a escolha e a ideologia.

A interacção surge como elemento fulcral nesta exposição, formando uma relação entre a visão do autor e as expectativas do visitante, entre o que o artista dispõe no cenário e a interpretação que o espectador desenvolve progressivamente ao longo da instalação concebida por Alina Serban, em ligações estabelecidas entre os diferentes autores.

   

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